14/06/2016

É Machismo? É.


Antes de mais nada: DESCULPE O POST GIGANTE! Mamãe ama vocês <3

Eu pensei muito sobre esse assunto para falar aqui no blog, achei que não teria visão o suficiente e que o assunto não teria importância o bastante pra trazer pra vocês. Eu estava enganada, esse assunto tem que ser discutido. Eu sou a última pessoa deste planeta a gostar de dar opinião sobre qualquer assunto de finalidade ideológica, a menos que esse assunto me eleve à níveis estratosféricos de indignação. E foi isso que aconteceu, eu me deparei com uma situação aterradora e foi ali que percebi que esse assunto tem que ser sim mostrado, debatido (não discutido) e exposto. Aí… Foi impossível, né? Mina queimada viva, 33 caras... Mas o que me deixou louca foi quando vi o índice de crianças estupradas, aí eu precisei vomitar.

Mas antes que eu golfasse o que eu precisava golfar, eis que recebo em minha casa uma visita de um parente. Se você leu nossos posts anteriores sabe que quando falamos sobre a família, eu citei que falaria sobre alguns familiares em casos isolados, se você ainda não está entendendo nada, clique aqui, falamos sobre como nossa família reagiu quando dissemos o caminho que escolhemos. Enfim, esse meu parente não visita ninguém da minha família há séculos e eu particularmente não gosto quando pessoas aparecem do nada, sinto uma energia bagunçada, esquisita. E como se já não bastasse minha desconfiança aleatória, a pessoa em questão estava bêbada. Eu respirei algumas vezes, ainda entalada mas deixei entrar, se expulsasse, seria mais dor de cabeça pra mim depois.

Eu o evitei ao MÁXIMOOO, quase não ficava na sala pra que ele não falasse comigo, mas não deu certo, ele sempre soltava uma piadinha e eu já estava ficando revoltada. Pra quem não sabe, eu tenho um irmãozinho de nove anos e meu irmãozinho é exposto ao machismo todos os dias e muitas das vezes sou em quem anda fazendo limpeza mental no menino, às vezes funciona, às vezes um idiota coloca coisa na cabeça dele de novo. E lá estava eu, trancada no quarto vendo tv, quando ouço a pessoa falar com meu irmãozinho, sobre um outro irmão meu. Eu sou a do meio e a única mulher. Outro ponto curioso, é que meu irmão mais velho é formado em Artes Marciais pela Liga Fluminense de Wing Chun (eu acho que é isso) e é Mestre de uma modalidade sino-brasileira, fundada anteriormente pelo seu antecessor. E quando pessoas como nós gostam de coisas que as outras pessoas acham  estranho, o que acontece? Elas enchem seu saco. Ele começou a falar besteira, uma atrás da outra, para meu irmãozinho, o quanto nosso irmão parecia “fraco e desnecessário”. Naquele momento eu já estava queimando de raiva por dentro.

Eu estava tendo muita dificuldade pra dormir e por isso fiquei umas semanas me entupindo de maracujá até as orelhas para poder dormir hihi. Desci do meu quarto para preparar meu suco noturno e ouço seu discurso “pegador” com outros homens ao telefone. Pigarro, mexe o suco e some daí, pensei comigo mesma. Me virei e ele me chamou pra conversar. Não sei porquê naquele momento não corri pra cima e me tranquei, eu estava morrendo de raiva. Como se já não bastasse todo o desconforto, ele me encheu de perguntas sobre sexualidade, me dizendo coisas como “tu gosta de homem?”, ou “tem certeza que tu gosta mesmo?”. 
Qual é a porcaria do problema se eu não gostasse? Se eu fosse lésbica ou amarela que diferença faria, Deusa minha? Eu fui muito paciente, gente, eu fui muito paciente mesmo, e olha que geralmente eu não sou nem um pouco.


Falar sobre a sexualidade não foi um problema... oi ESTRATOSFERICAMENTE UM PROBLEMA GIGANTE. Eu nunca me importei que achassem que eu era lésbica ou coisa parecida, não devo satisfação da minha sexualidade pra ninguém. Mal comento sobre sexo com amigos e quando falo, é sempre um comentariozinho ali e aqui. Sexo é normal, sexualidade mais normal ainda, mas não se deve ser discutida com homenzinho que acha que sabe das coisas. Aí ele se achou inteligente o bastante pra me dar dicas sobre sexo. Dicas... Dicas? Dicas! Oi? Abigo, tu tá se achando né?


Eu ouvi, cada palavrinha, cada coisinha nos seus mínimos detalhes. Mas o cúmulo foi quando simplesmente, ele soltou a piada: “Quer conseguir qualquer coisa de um homem? Abre as pernas pra ele!. Gente, ele merece um Nobel. Eu bati palma, menina, bati palma rindo. Então quer dizer que, eu no auge dos meus 21 anos, descobri que devo ignorar meus instintos, minha ética, meus princípios familiares e qualquer outro que eu adquiri conforme minha vida foi passando, ignorar experiências, esquecer meus sonhos, minhas vontades porque simplesmente quero que UM HOMEM faça as MINHAS vontades? Vamos refletir. Eu não posso ser dona das minhas próprias vontades, realizar meus sonhos, sair por ai fazendo o certo e o que eu quero e ainda sim transar com quem eu quiser? Não posso? Quando eu questionei, mais uma vez, decididamente ele dissetu é muito difícil, homem não gosta de mulher assim. Menina do céu….

Tá doido é bicha?
Ele é feito de santo, junto com outros dois parentes meus. Eu havia comentado sobre saber e ter estudado algumas coisas do Candomblé e ele pareceu surpreso. Não vou mentir, saber sobre as Nações de Jeji e Kêto foi muito interessante, sempre senti carinho pelo Candomblé desde quando tudo começou, corri pra eles quando os meus dons começaram a surgir, mas não recebi o devido auxílio e fiquei muito frustrada. 
O que me deixou chocada foi o fato dele ter descrito com respeito sua religião, mas apreciar bem mais as festas do que os votos de fé. Falei que não tinha interesse em entrar de cabeça na religião, pois estava estudando a Arte. Depois de ter explicado mais ou menos o que era, ele tentou vender o “peixe da religião” pra mim. Eu disse que não estudaria tão a fundo agora e ele insistiu, abriu a boca mais uma vez pra falar que Wicca? Não sei o que é isso, mas teu lugar não é aí não”. Coração, tu pode falar o que quiser, porque eu estou sendo legal, mas menosprezar a Wicca aí non Monamur.

Nooooon!

Por fim, o hominzinho, resto de DNA ignorado pra fazer biópsia, o livrado de abdução foi dormir, ainda vomitando coisas que eu tinha que fazer, porque era o certo. Eu não fiquei calada, derramei glamour feminista na cara dele, depois de tudo que ele tinha me dito, foi gratificante ver sua cara de tensão quando foi atacado e questionado. Depois desse momento, eu tive certeza de onde eu precisava estar, bem aqui, no Moons, ao lado da Bruna, na Wicca, contando essa história pra vocês. Percebi que eu estava desperdiçando meu poder, ouvindo o machismo gratuito dentro da minha casa, que eu era importante e que queria gritar mais pelas mulheres, por mim, pela Bruna, por todas nós. Não importa onde nós estejamos, o feminismo, o girl power é importante pra caramba. Minhas raízes familiares, eu irei carregar para sempre, mas nem mesmo uma tradição pode inibir todo esse poder que construímos e nascemos com. Por isso se estiver lendo isso, se estiver com medo de gritar, lembre-se você é importante, é uma parte do poder da Deusa, da mulher selvagem, que precisa se libertar e lutar. Essa história não tem moral nenhuma, ela só retrata a imagem de mais alguém sem senso crítico e ignorante (não sou eu, tá? hauha).

Bom, obrigada por ler até aqui. Eu quis deixar o texto mais descontraído possível pra que não ficasse maçante (consegui?), espero que você tenha se divertido hauhaha
Ah, claro….Uma mensagem para o meu amiguinho sexólogo, ganhador do Nobel e exímio personagem desse post: Queria dizer que…

                          
TODAS NÓS SOMOS!




























Um comentário:

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