15/01/2016

Confissões das Bruxas #1

(Afrodite, por Bruna Karnauchovas)

Eu sempre me interessei pelo oculto. Era um interesse que vinha desde criança, e embora meus pais fossem católicos praticantes, e vinham ambos de famílias também bastante católicas, eu parecia a ovelha negra que gostava de acreditar que existia mais no mundo do que Jesus e o Deus de que eles falavam.
Não sei dizer por certo se eu tive um momento específico em que entrei para a bruxaria. Talvez tenha sido desde o momento em que eu nasci.
Quando eu tinha seis anos de idade eu morava no sítio da minha avó.
Quando eu estava sozinha na casa eu via um homem muito alto, vestido de capa e cartola, e ele me falava com uma voz grossa e profunda:
- Bruna!
E então eu saía correndo para perguntar para a minha mãe se ela tinha me chamado. Eu não tinha medo do homem, eu queria ter certeza de que não era a minha mãe que me chamara para fazer alguma coisa.
Eu e minha irmã costumávamos passear pelo sítio e visitar um senhor negro que morava numa casinha abandonada meio fora da estrada. Ele falava que a gente devia obedecer aos nossos pais, que devíamos ser boas meninas. Ele falava para a gente nunca comer margarina. Ele dizia que tinha morrido de tanto comer margarina. Aquilo não pareceu estranho para nós por mais de quinze anos, até o dia em que, numa conversa com minha mãe e minha avó, elas estavam falando do senhor Fulano, que morara no sítio. Elas estavam falando do homem negro, e eu e minha irmã prontamente falamos que ele era muito legal, que lembrávamos perfeitamente dele. Minha mãe pareceu muito surpresa, e disse que ele tinha morrido muitos anos antes de nós nascermos.
Depois na adolescência, eu conheci as antigas tradições celtas, e a Deusa, por intermédio dos livros "Brumas de Avalon". A idéia de uma Deusa ao invés de um Deus me parecia maravilhosa. E talvez tenha sido esse momento que me levou a vários caminhos que resvalavam na bruxaria.
A minha conexão com os espíritos não diminuiu conforme eu crescia, como acontece com várias crianças quando ficam mais velhas. Ela ficava cada vez mais forte, e chegava a atrapalhar muito a minha vida cotidiana. Eu recebia visitas constantes, tinha visões e escutava muitas vozes.
Foi só na faculdade, quando pude ficar longe de meus pais e de sua vigilância católica é que eu pude finalmente me abrir a conhecer novas religiões. Afim de entender o meu dom, eu passei a estudar não somente o espiritismo, mas todas as facetas do mundo oculto. Eu me aventurei nos centros espíritas, nos terreiros de umbanda, li sobre panteões e religiões diferentes e suas explicações sobre os espíritos e sobre a vida após a morte.
Embora tenha me convertido ao budismo e me concentre em sua prática, todo o resto de mim é bruxa. Um amigo meu carinhosamente me apelidou de "necromante", pois eu era a bruxa com o dom de falar com os espíritos e poder mandá-los fazer o que eu pedia.
Eu nunca o fazia, é claro.
Meu signo é escorpião, que é regido por plutão, o signo da morte e do oculto, mas também do renascimento.
Eu nasci com esse dom de me comunicar com os espíritos, e é uma coisa que nunca vai sumir. Não sei se é isso que me puxa para a bruxaria, a qual considero a minha casa, enquanto o budismo é meu coração. Não sei se esse dom me torna bruxa, mas desde pequena eu disse que seria bruxa, que eu teria poderes especiais, e talvez eu tivesse razão.

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A Bruna Karnauchovas é taróloga e artista! Ela expõe sua arte na página Flecha de Bruxa, além de administrar o grupo para mulheres "Bruxaria pra quem fecha".

A tag #confissõesdasbruxas  foi proposta pela Dressa, a fim de criar laços com as pessoas lindas que nos leem, para exporem seus primeiros contatos com o oculto, trocando experiências conosco. Você pode nos enviar seu relato por e-mail (moongirlscl[email protected]), ou mandar uma mensagem por inbox.
Eu vou contar algumas experiências de como ingressei na bruxaria, e a Dressa falará sobre seu caminho no espiritismo.
Você também pode mandar uma arte e poemas dentro do assunto!
Essa nova tag será postada em nosso blog.

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